segunda-feira, 23 de setembro de 2013

Número 24 - capa

EDITORIAL

A vontade de Deus
Francisco Muniz
Coeditor

Diz velho rifão da sabedoria popular que “Deus põe e o homem dispõe”. Ou seja, tudo decorre, em nosso meio, a realidade terrena, ou humana, de acordo com os ditames das leis sábias da Providência Divina. Dizemos isso numa tentativa de justificar a quebra da periodicidade de nosso jornal, que somente agora chega às mãos dos leitores.
Essa interrupção, que esperamos não mais se dê, aconteceu por conta de muitos fatores que o mais minucioso planejamento tomará por imprevistos, alheios, portanto, ao nosso desejo, à nossa mais sincera intenção de oferecer um produto correspondente ao que estabelecemos inicialmente como linha condutora de nossas realizações, em respeito ao interesse dos leitores e a nosso compromisso nesse sentido.
Mas eis que retornamos, com uma edição que pretende compensar o longo intervalo desde o último número, trazendo assuntos atuais e convidando o leitor a profundas reflexões acerca do Movimento Espírita como um todo e às necessidades evolutivas concernentes a cada indivíduo.
Nesse aspecto, tornamos este presente trabalho uma mais que devida homenagem ao empenho da jornalista Angélica Santos e ao de seus colaboradores do C. E. Lar João Batista, que ela administra sob as bênçãos de Deus e com a confiança dos Amigos do Bem que em nome do Cristo colaboram para o aprimoramento das criaturas e das instituições voltadas para a promoção e dignificação dos homens.

Ao trabalho, portanto, e boa leitura a todos.

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NESTA EDIÇÃO

O XV Congresso Espírita do Estado da Bahia, marcado para o início do mês de novembro deste ano, vai discutir a temática “O viver espírita na sociedade”. Artigo de André Luiz Peixinho delineia a proposição. Página 8

O maior médium espírita que o mundo já conheceu, o mineiro Francisco Cândido Xavier, é lembrado pelo Movimento Espírita brasileiro pela passagem do 11.° ano de sua desencarnação. Página 3

Atual presidente do Grêmio Espírita Perseverança e Caridade (GPEC), na Graça, Antonio Carlos Couto Carahy fala, em entrevista, como se tornou espírita. Página 4

Você sabia que o Código Penal Brasileiro de 1890 classificava o Espiritismo como atividade criminosa? Esta e outras curiosidades estão na Página 7.

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HOMENAGEM

“Aos outros dou o direito de serem como querem; a mim, como devo ser.” 
Francisco (Chico) Cândido Xavier 
(1910-2002)



Número 24 - página 2

MOVIMENTO

SOS Preces oferece curso para plantonistas

Com início da primeira etapa prevista para o dia 1 de junho, o serviço SOS Preces realiza curso para plantonistas, qualificando os voluntários anônimos interessados em oferecer ouvidos para um desabafo e a voz para emitir conforto aos necessitados. As aulas são realizadas aos sábados, das 10 às 12h, nas instalações do Instituto Kardecista da Bahia (IKB), no Pelourinho (Rua João de Deus, 6), onde são feitas as inscrições, também realizadas por telefone: (71) 3321-3042 (IKB) e (71)3322-4088 (SOS Preces), devendo o interessado deixar nome e telefone para futuro contato. Ainda, pelo e-mail institutokardecista@gmail.com os candidatos ao curso podem solicitar a ficha de inscrição.
Para participar do curso, é importante que o candidato cumpra os seguintes requisitos: idade mínima de 21 anos; conhecimento da Doutrina Espírita; participe de grupo de estudo e/ou grupo mediúnico; participe de um Centro Espírita por pelo menos dois anos; tenha interesse em ajudar e ajudar-se; tenha equilíbrio emocional; tenha disposição para ouvir através do telefone; saiba engajar-se com responsabilidade, respeitando dias e horários combinados; e participe de reuniões e treinamentos, lembrando que só a boa vontade não garante a qualidade do trabalho.

Hermínio Miranda desencarna

Retornou a pátria espiritual, aos 93 anos, em 8 de julho de 2013, no Rio de Janeiro, onde vivia, Hermínio Corrêa de Miranda, um dos principais pesquisadores e escritores espíritas da atualidade.
Hermínio é autor de cerca de 40 livros, dentre eles, diversos clássicos da literatura espírita, como “Diálogo com as sombras”, “Diversidade dos carismas” e “Nossos filhos são espíritos”. Os direitos autorais de suas obras foram sempre cedidos a instituições filantrópicas.

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CURTAS

Parceria entre a Casa de Oração Francisco de Assis (COFA), a Federação Espírita do Estado da Bahia (FEEB) e o Centro Espírita Deus, Luz e Verdade (CEDLV) realiza no dia 11 de setembro, no auditório do CEDLV, um concerto do pianista paraibano Sibélius Donato Tenório, considerado pelo médium Chico Xavier como a reencarnação do compositor finlandês Johan Julius Sibelius.

Com vistas à comemoração de mais um aniversário de fundação, a transcorrer no dia 12 de novembro, a Casa de Oração Bezerra de Menezes (Cobem) está documentando em vídeo, através de sua Assessoria de Comunicação, parte da história e da vida dessa importante instituição espírita, criada pela médium Noélia Duarte em 1968.

Localizado em São Caetano (3a.Travessa Wilson Teixeira, 36 – Boa Vista), o Centro de Cultura Espírita Luz da Manhã, dirigido por Cleonice Pinheiro, realizará no dia 6 de outubro o seminário comemorativo do oitavo ano de funcionamento da instituição. A atividade, sob o tema “Terra: a vinha do Senhor”, será ministrada pelos expositores José Alonso Lacerda, que falará sobre “Os trabalhadores da última hora”, e Marcus Vinicius Rios, abordando a “Missão dos espíritas na Terra”.






Número 24 - página 3

MEMÓRIA

Onze anos sem Chico Xavier...

O médium Francisco de Paula Cândido Xavier é um mito que se espalhou por todos os continentes. Suas obras são um fenômeno de venda e um bálsamo para os aflitos. Palavras bem encaixadas, pensadas, com ênfase em direcionar o leitor para um caminho reto, bom.
Chico Xavier é um mito não por conta de suas inúmeras cartas psicografadas - claro, isso conta muito. Também não é um fenômeno por causa de seu carisma gigantesco. Com uma história magnífica - transposta para o cinema recentemente - ele sempre sofreu por causa de seu contato com os espíritos. Sua infância foi dura, ponteada por perseguições, descrença e medo. Aliás, este medo sempre o seguiu, como uma sombra. Não o medo da pessoa de Francisco, mas o medo do que estaria por trás de seu trabalho. Os espíritos são algo que impõe medo, o medo mais primal: o terror do invisível.
Chico Xavier cresceu e ganhou status de líder espiritual. Para ele, contudo, o papel de líder não era o mais importante. Chico sempre buscou trazer alento, paz para os familiares dos desencarnados e, logicamente, também para os próprios mortos. Seu dom era único, uma verdadeira benção de Deus. Por meio de suas mãos até pessoas à beira da condenação foram absolvidos.
Bem, alguns podem estar imaginando que ele teve uma vida boa. Sim, ele teve uma vida boa, mas longe daquilo que hoje consideramos bom. Amigos o acompanharam, pessoas o amaram e ele viveu entre todos que o apoiavam: isso era a felicidade para Chico. Escrever seus livros - com a ajuda dos mentores espirituais -, auxiliar os necessitados e passar adiante os ensinamentos do Evangelho. Chico, antes de tudo, era um cristão no sentido mais amplo da palavra. Ele poderia viver em mansões, viajar pelo mundo, ter seu nome estampado em jornais e revistas de todos os continentes. Poderia...
Sem estudos, pobre de nascimento e com uma doença que o cegou lentamente, Xavier cresceu em espírito. Seus ensinamentos - ou melhor, os de seus mentores - foram divulgados pelo mundo. Quanto ele ganhou com isso? Muito, porém nada de retorno financeiro. Os direitos de suas obras foram todos repassados para a FEB (Federação Espírita Brasileira),  e a ele restou apenas os lucros das boas obras. A difusão de seus escritos rendeu também a propagação da doutrina espírita, baseada nos ensinamentos de Alan Kardec por todo o mundo.
O auge da fama de Francisco Xavier se deu por conta de suas entrevistas ao programa “Pinga-Fogo” onde Chico  mostrou uma inteligência e sagacidade não condizentes com a pouca escolaridade do médium. Os programas de entrevistas “Pinga-Fogo” foram os mais vistos da história da TV brasileira.
Também há notícias de atos para livrar pessoas possessas dos espíritos obsessores, incluindo a própria irmã de Chico.
O filme e a minissérie sobre a vida e a morte de Chico Xavier são um achado, principalmente por mostrarem respeito à trajetória deste grande líder espiritual. Falecido em 2002, Chico deixou um legado difícil de abraçar. Centenas de livros, milhares de cartas psicografadas, almas apaziguadas e pessoas que encontraram um pouco mais de tranquilidade são apenas algumas da obras deste humilde mineiro de Pedro Leopoldo.
Uma das obras mais conhecidas de Xavier ganhou as telas em 2010. Baseado no romance homônimo de 1943, Nosso Lar foi um marco na história do cinema nacional pela coragem em retratar uma doutrina criticada por muitos à luz do livro, além da alta qualidade que apresentou. Com um roteiro fiel ao livro, Nosso Lar emocionou e foi um sucesso absoluto de bilheteria.
Mas esses não são os pontos principais desta matéria. O que eu quero evidenciar é simples: Chico Xavier não foi um mito. Chico sempre será um mito. Suas ações, a calma, a bondade por trás dos óculos que encobriam olhos doentes, o desapego ao dinheiro e sua vontade em propagar os ensinamentos cristãos o transformaram em uma unanimidade. Você pode não concordar com os ensinamentos kardecistas, porém jamais poderá recriminar as atitudes deste homem que inspirou muitos, transpôs barreiras do preconceito e acabou por se tornar o símbolo de uma doutrina.
São 11 anos sem Chico, completados no dia 30 de julho deste ano... Não, são 11 anos sem a presença física, pois é fato que suas obras, o carisma e o amor que existiam nele são infinitos.
Que para nós, e para os que virão, fiquem estas belas lições de uma pessoa simples, mas tão complexa quanto o amor.
Saudades, velho Chico.

(Texto recolhido do blog Apogeu do Abismo, de Franz Lima.

Número 24 - página 4

ENTREVISTA

Antonio Carahy: a convite da Espiritualidade
Márcia Cristina Barros
Jornalista e arteterapeuta espírita


Como se deu sua formação espírita?
De origem católica, estudante em Colégio Jesuíta, sempre questionei sobre situações que a Bíblia não explica, não me conformando com as respostas evasivas acerca da vida e da morte. Com espírito pesquisador, ao me deparar com a questão do livre-arbítrio, abracei a Doutrina Espírita, há mais de 15 anos, estudando as obras do Pentateuco de Kardec, leitura, para mim, indispensável, diariamente.

Como foi seu envolvimento com o GEPEC?
A princípio, uma pessoa amiga me apresentou ao Grêmio Espírita Perseverança e Caridade, onde comecei a estudar a Doutrina, baseada no Evangelho Segundo o Espiritismo. Depois de alguns anos, trabalhei na Casa, atuando num trabalho de desobsessão no grupo de Salviano Bittencourt, que me indicou como seu substituto, desencarnando logo depois. Há 10 anos coordeno esse grupo com muita honra.
Sondado várias vezes para ser presidente da Casa, declinei da indicação, por me sentir inexperiente. Em 2011, numa sessão doutrinária, recebemos a comunicação mediúnica de três ex-presidentes da casa: Walter Porto, Manoel Olympio e Salviano Bittencourt, já desencarnados, me pedindo para aceitar o convite, que aceitei, mediante ajuda espiritual deles.

Em breves linhas, qual o histórico dessa Casa Espírita?
O Grêmio Espírita Perseverança e Caridade (GEPEC) é a casa espírita mais antiga de Salvador em funcionamento, tendo sido fundada no dia 20 de maio de 1915, por João Henrique Martyr, juntamente com outros companheiros humildes, sob a denominação Sociedade Beneficente Grêmio Espírita Perseverança e Caridade, tendo estabelecido duas finalidades principais: auxílio aos espíritos sofre-dores; e ensino primário a crianças carentes, além da divulgação doutrinária e a assistência aos necessitados.
Em quase 100 anos de existência, a com-pletar em 2015, o GEPEC está localizado na Avenida Euclides da Cunha, n.º 119, na Graça. Esta casa e  seu terre-no eram de propriedade de uma se-nhora que, ao falecer, deixou-os para uma parenta que residia em Portugal, e que nunca se interessou pela herança recebida.
Após mais de 30 anos de ocupação, o Grêmio requereu e foi-lhe deferida a posse pela Justiça, passando a ser legítimo proprietário do logradouro. Durante muitos anos o GEPEC foi mantido em funcionamento com grandes dificuldades, pessoas humildes, frequentadores habituais que não passavam de duas dezenas.
Em 1923 foi criada a Escola Allan Kardec, inicialmente para atender os filhos dos sócios e crianças carentes, mantida exclusivamente com as contribuições dos frequentadores. Em  1956 tornou-se Escola Púbica, por convênio com a Secretaria Estadual de Educação e Cultura, renovado em 1992, sendo municipalizada em 1998. O GEPEC ainda criou e manteve por muitos anos a Escola de Corte e Costura Oswaldo Lima e o Gabinete Dentário.
Na década de 70, o Grêmio passou a ser frequentado por um número maior de pessoas. Em 1977, incorporou-se ao GEPEC o Centro Espírita Luz do Oriente, então presidido pelo saudoso Sr. José Campos, que passou desde então a trabalhar na Casa.
Em virtude do estado precário da sede, foi necessária a construção de um imóvel que melhor atendesse às atividades e necessidades da instituição. Com o incentivo constante e participação ativa do sempre lembrado Dr. Salviano Maia Bittencourt, de Waldemir Oliveira, Dilson Santos, além de tantos outros irmãos e irmãs, iniciou-se a construção do atual prédio, na gestão do também saudoso presidente Manoel Olympio Vieira.  Foram 13 anos de construção e re-formas! A inauguração da sede que atualmente abriga o GEPEC ocorreu em 24 de setembro de 1989, na gestão do Dr. Salviano M. Bittencourt.

Como se dá a interação do GEPEC com a comunidade?

Através do trabalho doutrinário, com reuniões de estudo, cursos para passistas e doutrinadores, palestras e seminários, proferidos por trabalha-dores da Casa e visitantes, sempre com base nos postulados de Kardec; atividades de desenvolvimento mediúnico, grupos de desobsessão e cura energética à distância, em vários horários para atender ao público  diversificado (exceto aos domingos). Há também eventos sociais que divulgam a Doutrina, além do trabalho humanitário que desenvolvemos em serviços de assistência prestados à crianças (Escola Allan Kardec), gestantes (enxovais e acompanhamento médico e psicológico) e idosos (farnel e atendimento médico).

Número 24 - página 5

NOTÍCIAS

Seminário pretende estimular criação de grupos de pais nas casas espírita

O primeiro seminário do Grupo Espírita Federativo da Família (GEFFA, vinculado ao Conselho de Infância e Juventude da FEEB) acontecerá no dia 15 de setembro deste ano, das 8 às 12h30, na sede da Federação Espírita do Estado da Bahia (FEEB) e terá como tema “A Casa Espírita como (Co) Laboradora no Progresso da Família”. É direcionado aos dirigentes, grupos de pais, evangelizadores, trabalhadores e frequentadores das casas espíritas e interessados em conhecer e implantar grupo de pais/família nas suas instituições.
A atividade abordará conteúdos relacionados ao papel das casas espíritas no trabalho de estímulo ao progresso espiritual da família. O foco será tanto os grupos de pais existentes quanto grupos em processo de implantação nas casas, bem como as atividades de evangelização infanto–juvenil numa perspectiva de conexão e cooperação entre esses setores.
Inicialmente acontecerá uma exposição sobre o tema do seminário e para isso contaremos com a participação de Nádia Matos, Psicóloga e Especialista em assuntos da família.
Em um segundo momento, Luciana Souza, Joanira Fonseca e Ana Luiza (componentes do GEFFA) estarão conduzindo os trabalhos nos grupos operativos numa perspectiva de inserção/interação do grupo de pais/família nas diversas áreas das casas espíritas.
O GEFFA solicita aos centros que já possuem grupo com foco na família estruturado a gentileza de levarem um cartaz com as atividades desenvolvidas, horário de funcionamento, se possível com fotos e endereço, para divulgação com vistas a estimular os grupos que ainda não implantaram atividades com pais em suas casas por meio de uma exposição. “Caso não consigam levar, não tem problema”, salientam as integrantes.

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POESIA

Perfume de Deus
Emmanuel

Derramou-se o perfume
Das Alturas Celestes.
Os homens o puseram
Em vasos numerosos;
Uns esguios e altos,
Outros amplos e ovóides;
Alguns feitos de ouro,
Outros de barro ou prata.
Tantas formas diversas,
Mas o aroma era o mesmo.
Esta – é a história do amor,
O perfume de Deus.


(Pelo médium Francisco Cândido Xavier, no livro "Luz Bendita")

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LAR JOÃO BATISTA
Aniversariantes de Abril a Setembro

A Tribuna Espírita de Salvador e o C. E. Lar João Batista parabenizam a todos os aniversariantes dos meses de janeiro a junho, pelo transcurso de mais um ano de trabalho profícuo entre nós. Deus os abençoe!


Número 24 - página 6

DOUTRINA

O Espiritismo e a saudade
Morel Felipe Wilkon
Blogueiro espírita gaúcho

O Espiritismo é uma doutrina consoladora, por nos demonstrar a continuidade da vida após a separação terrena. Mas nós devemos reconhecer que o fato de sabermos que a vida continua não ameniza a saudade, pois é difícil superar o silêncio. Esse silêncio que dói e que não é preenchido por nada.Talvez se tivéssemos em mente, se nos lembrássemos com frequência, que todos aqueles que amamos um dia vão partir da matéria, muitos deles antes de nós, talvez então os valorizássemos mais, talvez então notássemos mais as suas virtudes e menos os seus defeitos.
Mas isso também vale para quem, por algum motivo, esteja afastado dos seus. É claro que então a saudade ainda dói, mas ao mesmo tempo alenta, porque o reencontro não depende de que todas as pessoas estejam novamente no mesmo plano… Sem contar que hoje temos o auxílio inestimável da tecnologia. Não é a mesma coisa? Claro que não, mas pouco tempo atrás não existia, não havia esse consolo. Algum tempo atrás, quem imaginaria ver suas pessoas queridas pelo webcam, estando em praticamente qualquer lugar do mundo?
Uma coisa a ser evitada nos momentos de saudade é justamente pensar nela. Antes de deprimir-se, é melhor se manter ocupado com coisas úteis. Não há um monte de coisas que deixamos pra fazer quando tivermos tempo? Pois que se aproveite o espaço vazio deixado pela saudade para ocupar-se com essas coisas.
A palavra saudade só existe na língua portuguesa, e sua etimologia é a mesma da palavra solidão. E são realmente sentimentos que se confundem. Pois a solidão também pode ser aproveitada para coisas que em outras ocasiões e circunstâncias não seriam possíveis. É na solidão que entramos em contato com nós mesmos, com nosso universo interior. Na solidão podemos encontrar respostas seguras para as incertezas que alimentamos, e esse contato com nosso íntimo é que nos dá coragem para enfrentar as dificuldades da passagem pela Terra.
Quando estiver de braços com a saudade, não permita que ela se transforme numa prisão emocional, impedindo que você saiba aproveitar os dias que de repente ficaram mais compridos, impedindo que você domine o seu pensamento, que você domine as lágrimas, que você domine o desânimo que bate à porta ameaçadoramente.
Não! Todos os períodos da vida são importantes, nenhum se repete, com toda a certeza um dia a oportunidade de aprendizado e vivência desse momento da sua vida lhe será cobrado, e é bom que você tenha aproveitado. Seja útil, seja útil aos outros, aos que ficaram, seja útil a você!
E quando puder estar novamente ao lado das pessoas que ama, aproveite ao máximo, viva cada detalhe, cada momento; sabe-se lá quando terá outro abraço como esse? É triste? Talvez. Seria pior se não houvesse o reencontro nesta vida; pior ainda se não houvesse amanhã. Mas a vida é um dia depois do outro, cada um deve ser aproveitado ao máximo, com saudade ou sem saudade. Quanta oportunidade um dia nos oferece! Que o vazio da ausência seja preenchido com bons pensamentos e atividades construtivas.

E que se aproveite essa oportunidade de aprendizado para, no decorrer dessa vida e pela eternidade, darmos o devido valor às coisas simples, que não exigem nada de extravagante para serem feitas, basta a presença daqueles que amamos.

Número 24 - Página 7

HUMOR

Kardec

O nome de Allan Kardec, codificador do Espiritismo, está tão presente na vida cultural brasileira que tem servido também como mote de anedotas, fazendo refletir tanto sobre a importância e a penetração da Doutrina Espírita nos vários setores da sociedade quanto na ignorância em que se encontra parte da população. Eis dois exemplos:

1 - Num de seus artigos, o escritor espírita Richard Simonetti (SP) conta que durante uma campanha eleitoral, um morador de Bauru, vendo um adesivo no parabrisa de um carro com a inscrição “Leia Kardec”, indicando que o veículo pertencia a um simpatizando da Doutrina dos Espíritos, indagou do motorista:
- Quem é essa candidata Leia Kardec?

2 - Nos anos 20 um jornal de humor paulista estampava esta pérola da propaganda, num anúncio muito bem elaborado publicado num jornal popular: “Use a lã Kardec. A lã Kardec aquece até a alma!”

Seguir o Cristo?

O filho, adolescente, rebelde sem causa, estava com os cabelos e a barba sem fazer havia mais de três meses.
A mãe, inteligente e espírita ativa, chama-o para uma conversa:
- Filho, você vai hoje cortar o cabelo e essa barbicha.
- Mãe, a senhora vive dizendo que temos de seguir Jesus; ele tinha barba e cabelos compridos...
Ele se vangloria e morre de rir da mãe, que naquele momento preferiu se calar e agir.
No outro dia, logo cedo ela o acorda com um camisolão meio cinza-pastel nas mãos e um par de sandálias de couro:
- Filgo, acorda! Toma esta roupa igual às que Jesus usava; já separei suas roupas e tênis para doar a uma instituição de caridade.
O garoto solta um sorriso amarelo e diz:
- Calma, mãe, eu estava brincando. Estou indo já no cabeleireiro.

Sempre é possível agir com inteligência, ao invés de autoritarismo e violência.

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CURIOSIDADES

O Espiritismo chegou no Brasil em 1860 sofrendo, desde já, grande preconceito. Só para se ter uma ideia, o Código Penal de 1890 classificava-o como crime. Os primeiros centros espíritas surgiram apenas em 1865.

Existe no Brasil uma cidade fundada exclusivamente por espíritas (ela cresceu a partir de um centro espírita). É a cidade de Palmelo, no estado de Goiás, a 58 Km de Goiânia e com população atual de 2.500 habitantes.

Apesar de a pátria-mãe do Espiritismo ser a França, é no Brasil que a doutrina tem o maior número de adeptos. São 2,5 milhões de seguidores e outros milhões de simpatizantes.

Um dos maiores divulgadores da doutrina espírita no Brasil foi o médico, militar, escritor, jornalista e político Bezerra de Menezes, que começou a divulgar o Espiritismo pouco tempo depois da publicação da obra de Allan Kardec em português.

O mais famoso médium do Brasil foi Francisco Cândido Xavier, nascido em Pedro Leopoldo (MG) em 2 de abril de 1910 e falecido (“desencarnado”, para os espíritas) em 30 de junho de 2002, na cidade de Uberaba. A mediunidade de Chico começou a se manifestar quando ele tinha apenas quatro anos de idade.

Número 24 - Página 8

OPINIÃO

O viver espírita na sociedade
André Luiz Peixinho
Expositor espírita/Diretor-presidente da Federação Espírita do Estado da Bahia

Após contabilizarmos como integrante do nosso patrimônio intelectual a vasta cosmovisão espírita que, sem desprezar o materialismo e seus benefícios em termos de tecnologia e progresso social, nos aponta para nossa natureza essencial de espírito imortal, para quem só há plena satisfação no eterno, cabe-nos indagar: o que deve ser o viver espírita na sociedade?
Numa primeira instância dizemos que tal viver deve se configurar como conduta moral de homens de bem, isto é, agir em conformidade com a lei de Deus, que preconiza atuarmos em benefício de todos. Esta lei está presente no mundo íntimo de cada um, sob a forma de uma consciência profunda que nos permite discernir nas situações concretas da vida cotidiana o certo e o errado. Evidente que ela só se manifesta se nos dispusermos a escutá-la, o que exige uma crença primordial na sua importância e na sua origem divina. Ainda assim, podemos, por inadequada escuta ou negação, tomarmos atitudes equivocadas, o que pode ser evitável em larga escala se adotarmos o preceito de só fazermos ou praticarmos em relação aos outros, aquilo que avaliamos ser benévolo para nós, em certo sentido, recordando o aforismo grego de que o homem é a medida das coisas.
Outra maneira de lidarmos com sucesso em relação às questões do bem e do mal consiste em nos dedicarmos ao autoconhecimento, pois, assim procedendo, estaremos nos aproximando da compreensão sobre as nossa motivações determinantes de nosso comportamento e nos ensejando oportunidade de aprimorarmos nossa percepção sobre possíveis benefícios ou prejuízos de nossas condutas. Portanto, continua válida a máxima do templo de Delfos “conhece-te a ti mesmo”, reeditada na proposta espírita de evolução consciente.
Muitos aspectos da Lei de Deus encontram-se analisados dialogicamente nas Leis Morais – 3ª parte de O Livro dos Espíritos – explicitando nossas possibilidades relacionais com Deus, o valor do trabalho e das nossas relações com os bens materiais, o significado da sexualidade e sua evolução, nossas reais necessidades de conservação, as questões espirituais relativas à destruição material, a importância da vida social para o progresso do espírito, e como este ocorre em meio às circunstâncias históricas, a caracterização da verdadeira igualdade entre os seres humanos, além das aparências de cor, casta, sexo, ideologia, etc..., a função e o exercício da liberdade, a prática da justiça e da caridade, tudo isto para alcançarmos a perfeição moral.
Se tomarmos esta gama de informações trazida pelos espíritos e resolvermos vivê-la no dia a dia da nossa encarnação, daremos uma grande contribuição pessoal para a nossa felicidade pessoal, pois os ensinos exarados nos diálogos entre Kardec e os espíritos estão carecendo ainda de uma verdadeira imersão existencial para produzirem os resultados desejados.
Desejando verificar a validade de tais lições, poderemos ainda partilhar nossos resultados e construirmos experimentos mais ricos e complexos em grupos de desenvolvimento do ser, gerando microcomunidades diferenciadas, capazes de mais intensamente influenciar seus integrantes, potencializando os efeitos de tais vivências.
Mesmo experimentando com sucesso tais aspectos da lei de Deus em caráter pessoal, não teremos explorado suficientemente o potencial da cosmovisão espírita, pois ela transcende o pessoal e o humano. Tornar-se homem de bem cultivando as virtudes cristãs é passo essencial em nosso projeto evolutivo pessoal que, até certo ponto, transborda para a sociedade.
Isto, porém, não esgota nossas possibilidades de progresso espiritual previstas pelo Espiritismo principalmente enquanto sociedade organizada. Nosso objetivo último deve ser a ascensão para a ordem dos espíritos puros co-criadores do universo. E como a finalidade condiciona o nosso esforço, precisamos estar atentos ao nosso modo de interpretar o que aprendemos sobre o Espiritismo a um conjunto de máximas morais que nos norteará no trabalho de nos conduzirmos como bons cidadãos, segundo parâmetros humanitários, embora, ainda assim, materialistas.
Recordemos que a proposta espírita propõe a supremacia do espírito sobre a matéria e descreve o mundo espiritual como primordial e não dependente essencialmente da vida material, e embora reconheça a existência desta, dá-lhe um valor secundário e transitório, um laboratório significativo, porém limitado para a manifestação do ser.
Por isto mesmo, a vivência espírita em sociedade deve também se concentrar em ampliar a acanhada perspectiva materialista, até hoje hegemônica no organismo social. Trata-se de realizar uma revolução paradigmática, substituindo a primazia da matéria, efêmera e limitada pela morte, pelo primado do espírito imortal, criação divina.
E, para realizá-la, exige-se uma consciência crescente do ser que somos, daí derivando profundas transmutações e criações na civilização. Para provocar a renovação social como preconizou Alan Kardec, em Sinais dos Tempos, no livro a Gênese, espera-se que o pensamento espírita, sem desperdiçar os ganhos do materialismo, traga para o cenário das atividades humanas, novidades compatíveis com o ser espírito consciente encarnado.
Em consonância com esta perspectiva, a Federação Espírita do Estado da Bahia escolheu esta temática para nortear seus projetos de unificação deste ano, que culminará com a realização do XV Congresso Espírita da Bahia, no período de 31 a 3 de novembro do ano em curso. Este evento será precedido de seminários locais, Encontros Macrorregionais para todo o estado da Bahia, visitas institucionais, divulgação na mídia e uma campanha de estímulo às vivências mais elevadas das leis morais. Assim, em fevereiro, adotaremos a virtude brandura e seus correlatos, como afabilidade, mansidão, e doçura para cultivo em nossas comunidades, e estudaremos vivencialmente nossa relação com Deus: a lei da adoração.
Todos estamos convidados a participar deste projeto de transformação da sociedade.


segunda-feira, 22 de abril de 2013

Número 23 - Capa

EDITORIAL


Espiritismo e Progresso

Angélica Santos

No início deste terceiro milênio, conhecido nas hostes espíritas como a Era do Espírito, nota-se que a Doutrina codificada por Allan Kardec vem tomando novos rumos, não só através dos meios de comunicação, como também em interesse de inúmeras pessoas nos mais variados segmentos sociais.
Isso nos convida a pensar em alguns velhos conceitos vivenciados em nosso meio, impedindo que possamos aceitar a realidade em que vivemos, atualizando conceitos e ações nos trabalhos das nossas casas e no movimento espírita como um todo.
O progresso vem colocando ao nosso alcance condições de praticarmos ações modernas, condizentes com aquilo que a sociedade global espera de uma doutrina evolucionista e seguidora dos passos científicos, conforme preconizou Kardec.
É preciso que esqueçamos as disputas, a rejeição a novas condições de conduzir o movimento, forjando idéias preconcebidas entre o porvir, o que se está vivenciando e o passado. É preciso escolher novos rumos, avançar, e quanto mais cedo cerrarmos fileiras na sua moderna condução, esse avanço tornar-se-á mais fácil.
A nova linha literária que vem pouco a pouco ganhando espaço entre os estudiosos e adeptos do Espiritismo nos convida a estudos profundos, sem, contudo, nos afastar das bases criadas em 1857, da qual a mais moderna literatura não se afasta, não foge.

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Nesta edição:

Coube a Allan Kardec, em O Livro dos Médiuns, fazer a classificações dos intermediários entre os homens e os Espíritos. Será que há também vários tipos de passistas? Veja na Página 7.

Marco Antonio Silva Pinto é o articulista desta edição e nos fala sobre um problema que atormenta muitos médiuns, embora sem razão: o animismo. Página 8

Aristóteles Peixinho, o “Tio Peixe”, desencarnou em 2011, após dedicar toda sua vida à difusão do Espiritismo na cidade de Serrinha. Nossa homenagem a ele está na Página 3.

A cantora Edith Piaf, eterno mito da música francesa, tornou-se adepta do Espiritismo após a perda de uma pessoa querida. Esta e outras curiosidades a respeito da Doutrina dos Espíritos estão na Página 7.

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Vulto homenageado

Aristóteles Damasceno Peixinho
(1.11.1920 - 13.1.2011)

“A luz que brilhou em Serrinha.”

Número 23 - página 2

MOVIMENTO

Francisco Bispo dos Anjos retorna à Pátria Espiritual

Homenageado por familiares e amigos, foi sepultado na tarde do domingo 14 de abril, no cemitério Jardim da Saudade, o corpo de Francisco Bispo dos Anjos, desencarnado aos 89 anos de idade. Tendo exercido a presidência e vice-presidência da Federação Espírita do Estado da Bahia (FEEB) e, por vários anos, a secretaria da Comissão Regional Nordeste, órgão do Conselho Federativo Nacional, da Federação Espírita Brasileira, Bispo ainda atuou no jornalismo, ao assinar uma coluna semanal no extinto Jornal da Bahia, além de ter sido auditor fiscal aposentado da Receita Federal.
Dentre as mensagens solidárias recebidas pela família, destaca-se a do médium Divaldo Franco: “Graças a Deus, o querido Chico libertou-se do fardo carnal, após uma existência de apóstolo. Pai, esposo, filho, irmão e amigo, ele foi um exemplo durante a jornada física”. Do casamento de 55 anos com Zaida Macedo Bispo, falecida em 2010, Chico, como era carinhosamente apelidado, deixa sua lição de vida aos seis filhos (Paulo, Elvia, Marcelo, Eliane, Marcos e Silvano), dez netos e três bisnetos.

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Seminário da FEEB discute atualidade das Leis Morais

A Federação Espírita do Estado da Bahia (FEEB) promove o Seminário “Atualidade das Leis Morais” no dia 28 de abril de 2013, às 9h, no Centro de Convenções da Bahia, em Salvador.
O seminário marca o encerramento da Caravana da Fraternidade 2013. Como o evento é gratuito, o acesso ao Centro de Convenções está condicionado ao credenciamento, para o controle entre o número de participantes e o número de assentos do teatro.
A credencial é adquirida com os coordenadores dos Conselhos Distritais por meio de inscrição, disponível na secretaria da FEEB, sede Iguatemi.
A promoção da FEEB conta com a participação dos expositores convidados Eliseu Florentino e Dora Incontri, ambos de São Paulo.

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CURTAS

O médium e tribuno José Medrado inaugura no dia 17 de março a série de seminários que o C. E. Deus, Luz e Verdade realizará ao longo de 3013. O tema é “Família: aperte mais esse laço” e após a palestra o médium conduzirá uma sessão de pintura mediúnica que terá, depois, as telas leiloadas.

A escritora e educadora espírita paulista Dora Incontri cumprirá, no período de 11 a 17 de março, uma extensa agenda de compromissos em Salvador, realizando palestras em várias Casas Espíritas e culminando nos seminários “Como educar nossos pais?”, dirigido à juventude espírita, e “Como educar nossos jovens?”, no Núcleo Espírita Telles de Menezes.

A Diretoria Executiva da Casa de Oração Bezerra de Menezes (Cobem) concedeu status de Departamento ao antigo Setor de Atendimento Fraterno, até então vinculado ao Departamento de Ação Mediúnica (DAM). Sob a direção da trabalhadora Odete Moreira, o Departamento de Atendimento Fraterno (DAF) reuniu no final de março os coordenadores de atividades e grupos de atendimento com a finalidade de apresentar seu plano de ação para a gestão 2013-2014.

Número 23 - página 3

MEMÓRIA


“Tio Peixe” e a luta pelo Espiritismo em Serrinha

Margarida M. Cardoso e Silva Souza
Diretora-presidente do Centro Espírita Deus, Cristo e Caridade, de Serrinha-BA
(Texto recolhido no blog “Memória Espiritual”, de Fábio Pires)

Primeiro de novembro de 1920! Nas terras do Uauá, em pleno sertão baiano castigado pela seca e pela escassez de recursos, nasce Aristóteles Damasceno Peixinho, filho de Belarmino da Silva Peixinho e Adelaide Damasceno Peixinho. De tez morena, olhar penetrante, cabelos pretos, testa larga, mais parecia um Tibetano naquele rincão sertanejo. Aos seis anos de idade, a mediunidade desponta com a vidência e a audiência, o que, naquela época, constituía um fato singular. Cresce, em contato com os Espíritos, aprendendo, desde cedo, a lidar com esse “mundo” de seres incorpóreos, com toda a sua complexidade. Por forças das circunstâncias, e por que não dizer: providenciais, a família transfere-se para Serrinha, Bahia.
O nosso biografado, com 23 anos de idade, agora respirando outros ares, toma conhecimento de um movimento incipiente que alguns interessados lideram. Eram os primeiros fenômenos mediúnicos que ali surgiam, acordando a comunidade serrinhense para o Espiritismo. Portador de uma mediunidade ostensiva, ingressa nesse movimento e, junto de outros, funda o Centro Espírita Deus, Cristo e Caridade, sob a égide dos Espíritos Irmão Estrela, Vilas Boas e Marco Antônio, que orientam as bases legais e ensinam como dirigir a instituição nascente. A partir daí, entrega a sua vida, numa dedicação exclusiva, à Causa Espírita, buscando, sabiamente, conciliar as responsabilidades da família constituída com as da sua crença.
As lutas enfrentadas para a instauração do Espiritismo numa comunidade eminentemente católica, eram imensas! Todavia, seu poder de liderança, sua figura carismática e a mediunidade a serviço do bem foram ferramentas por ele utilizadas para a implantação das ideias espíritas, difundido as sementes do Evangelho de Jesus no coração do povo serrinhense. Junto a uma equipe de colaboradores, transformou o Centro Espírita Deus, Cristo e Caridade em um polo estruturante que ampliou sua ação para as regiões circunvizinhas, vindo a fundar 13 Instituições Espíritas, fruto da sua perseverança e determinação. A partir de um encontro, pela vidência, com o Espírito Madre Teresa de Calcutá, que o convida a vivenciar toda a teoria espírita apreendida, desenvolve um trabalho de assistência social, voltado para a promoção do homem, onde famílias numerosas foram agraciadas por recursos materiais, na construção e reformas de casas para a população de baixa renda.
Ao lado da confreira Oliva A. Mendonça, já desencarnada, funda a Associação Mansão Marco Antônio, de amparo à velhice, obra que se mantém de pé com outros continuadores, incansáveis trabalhadores do bem. Foram seis décadas de trabalhos ininterruptos, desde sua dedicação nas câmaras mediúnicas como ser interexis-tencial, até o seu labor diário, contribuindo para o bem-estar coletivo, numa entrega total e esquecimento de si mesmo. Os que tiveram a graça de com ele partilhar as experiências numinosas levarão consigo, como marcas indeléveis, a certeza da imortalidade e a segurança nos princípios doutrinários, tocados que foram pelas clarinadas do Evangelho de Jesus.
Como resumir em poucas linhas uma vida dedicada ao bem coletivo que, aos noventa anos, volta à Pátria Espiritual como cidadão do infinito, deixando impregnado nas almas o doce aroma do seu exemplo? A Aristóteles, o nosso preito de profunda gratidão por sua presença entre nós! Pelas experiências compartilhadas, pelas lágrimas secadas, pela consolação prodigalizada. Parafraseando Winston Churchill, afirmamos: “Nunca tantos deveram tanto a tão poucos!”

Número 23 - página 4

ENTREVISTA


“Uma oportunidade de ajuste com as leis de Deus”

Nossa entrevistada é Juscélia Lima Barbosa (Ju), atual presidente, eleita recentemente, da Associação Jacuipense de Estudos Espíritas Casa do Evangelho, localizada na cidade de Conceição de Jacuípe, na região de Feira de Santana.



- Como se deu seu envolvimento com a Doutrina Espírita e desde quando colabora com a Casa que você dirige?
- Aos 28 anos de idade física ganhei um exemplar de O Evangelho Segundo o Espiritismo, de uma amiga de infância que já era espírita; guardei este livro por dois anos aproximadamente. De repente, comecei a sentir um vazio muito grande em minha vida, que nada nem ninguém preenchia, e tomei a iniciativa de ler aquele livro; na medida em que me envolvia com aqueles ensinamentos, o vazio era preenchido. Foi daí que tomei a decisão de procurar um Centro Espírita, e no dia 2 de julho de 2001 cheguei à Casa do Evangelho, onde estou até hoje.

- Que representa para você, dirigir uma Instituição como a Casa do Evangelho?
- Um convite a mais para a reforma íntima e, seguindo as diretrizes do Cristo, uma oportunidade de ajuste com as leis de Deus.

- Quais os serviços que a Casa oferece à comunidade assistida?
- Atendimento fraterno, evangelização infantil, grupos de estudo, reuniões doutrinárias, fluidoterapia e visitas de implantação do Evangelho no Lar.

- Que tipo de atuação você pretende implantar em sua administração?
- Percebo uma grande necessidade de qualificação de trabalhadores. Pensando nesta questão, desejo atuar incentivando a atual equipe a se auto capacitar, através da participação em grupos de estudos, seminários etc., com o objetivo de todos adquirirem conhecimento para servir com segurança e conhecimento, a todos que nos procurem em busca de auxílio e esclarecimento.

- Em sua opinião, que é preciso fazer para tornar uma Casa Espírita mais presente na vida da comunidade? 
- Que seus representantes (que somos todos nós, estudantes desta Doutrina) vivenciem e divulguem o Evangelho de Jesus, os ensinamentos dos Espíritos dentro e principalmente fora das casas.

Número 23 - página 5


NOTÍCIAS

FEEB e AME comemoram os 90 anos de Ildefonso do Espírito Santo

Matéria e foto de Shirley Oliveira / Jornalista


A Federação Espírita do Estado da Bahia (FEEB) e a Associação Medica Espírita da Bahia (AME), homenagearam o confrade Ildefonso do Espírito Santo pela passagem do seu 90.º aniversário. A atividade aconteceu na noite da segunda-feira 11 de março, no auditório da FEEB, sede Iguatemi.
Para André Luiz Peixinho, presidente da FEEB, esse ato simbólico de celebração do aniversário de Ildefonso do Espírito Santo teve a importância de reconhecer o trabalho de um dos pioneiros do Espiritismo que muito contribuiu com a evolução do Movimento Espírita baiano.
O homenageado, com a tranquilidade que lhe é peculiar, agradeceu e transformou o momento em mais um ensinamento, ao declarar que tem gratidão pelo que aconteceu em toda sua vida, sendo o mais importante evento o ato de ter conhecido a Doutrina Espírita ainda na infância. Espírito Santo explicou também que as experiências vividas superaram todas as suas expectativas: “Agora só falta eu passar para o outro lado, para ver as surpresas a mais que a vida me prepara”, concluiu.
Ildefonso do Espírito Santo, ainda jovem, esteve presente na visita da Caravana da Fraternidade, que em 1950 percorreu o Brasil em prol da unificação doutrinária. Essa Caravana teve a participação, dentre outros espíritas, do baiano Leopoldo Machado.
Espírito Santo é médico sanitarista, foi presidente da FEEB entre os anos de 1982 e 1988, fundador e presidente da AME. Conhecido pela fama de conciliador, amigo, empreendedor, entusiasmado com o espiritismo e grande incentivador da juventude da antiga União Espírita, Ildefonso completa 90 anos em 11 de março de 2013.
O evento foi seguido pela palestra da educadora Dori Inconti, que proferiu o tema “Educação e Mediunidade”.

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POESIA

Ajuda-te

Casimiro Cunha

Se queres conforto e paz
Nunca reproves ninguém.
Se buscas os bens do Céu,
Começa fazendo o bem.

No campo da humanidade
Não colherás a alegria,
Sem plantar com toda gente
A graça da simpatia.

Ajuda-te! Em toda parte,
Bondade é sol que abençoa.
Planta nobre não prospera
Sem bases na terra boa.

Caridade, gentileza,
Auxílio, calma e perdão
São das preces mais sublimes
Em teu altar de oração

Recorda que em toda vida,
Conforme a nossa procura,
O Criador nos responde
Nos gestos da criatura

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Aniversariantes do trimestre

Janeiro
3 - Jéssica
11 - Jonilda
29 - Anselmo

Fevereiro
2 - Hiolanda
19 - Tânia
28 - Antonio Osvaldo

Março
3 - Cristiane
7 – Jurandir

Não vou pintar os meus cabelos brancos,
Minha pele enrugada deixo-a assim;
As mãos do tempo é que me transformam
E me conduzem do começo até o fim.

Número 23 - página 6


DOUTRINA

Neutralidade?

Francisco Muniz
Jornalista e avô


"Tendes aprendido que foi dito: olho por olho, dente por dente. - Eu vos digo para não resistirdes ao mal que se vos quer fazer; mas se alguém vos bate na face direita, apresentai-lhe também a outra; - e se alguém quer demandar contra vós para tomar vossa túnica, abandonai-lhe ainda vossa capa; - e se alguém quer vos constranger a fazer mil passos com ele, fazei ainda dois mil. - Dai àquele que vos pede, e não repilais àquele que quer emprestar de vós."
Palavras de Jesus no Evangelho de Mateus (5:38-42). Relembro-as a propósito da frase atribuída ao bispo sul-africano Desmond Tutu, segundo a qual a posição de neutralidade em situações de violência e injustiça configura tomar o partido do agressor. Meditando com base nas lições do Evangelho, veremos que não é bem assim, caso contrário se estaria negando o ideal cristão abraçado com muita responsabilidade. A violência é um mal e resistir a ela, recalcitrando, reclamando, brigando, altercando é dar força ao mal. O Cristo nos esclarece que bem melhor é perdoar a todos por tudo que nos façam.
Em O Evangelho Segundo o Espiritismo, lemos, no capítulo XII, intitulado "Amai os vossos inimigos", o tópico "Se alguém vos bate na face direita, apresentai-lhe também a outra", informando-nos que "os preconceitos do mundo sobre o que se convencionou chamar o ponto de honra dão essa suscetibilidade sombria, nascida do orgulho e da exaltação da personalidade, que leva o homem a restituir injúria por injúria, insulto por insulto, o que parece a justiça para aquele cujo senso moral não se eleva acima das paixões terrestres (...)".
É sempre oportuno pensarmos um pouco mais profundamente, destituídos das paixões que nos fazem perder a medida do comedimento e do equilíbrio, manifestando atitudes das quais só muito tempo depois vamos nos arrepender. Por isso o comportamento equilibrado é muitas vezes confundido com neutralidade que nesses casos tais pessoas entendem como indiferença, querendo sempre que lhe deem razão em seus momentos de desvario emocional, somente porque se acham "com razão"...
Mas se recordássemos, pelo aprendizado sincero e consequente, as lições de Jesus, agora bela e eficazmente interpretadas pelo Espiritismo, meditaríamos as palavras de Allan Kardec, que nos pede: "Dirigi vossos olhares para a frente; quanto mais vos eleveis pelo pensamento, acima da vida material, menos sereis magoados pelas coisas da Terra".

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Programação de Atividades do C. E. Lar João Batista

Doutrinárias – Domingo, 10 horas; segunda-feira, 20 horas; quinta-feira, 16 horas.

Passes - Segunda-feira, 16 às 18 horas; terça, 16h30 às 18h; quarta, 10 às 11 e 16 às 18h; quinta, 17 às 18 e 19 às 20h; sexta, 16 às 18h; sábado, 15h30 às 16h30.

Entrevistas - Quarta-feira, 10 às 11 horas; sexta-feira, 15h30 às 17h30.

Escola mediúnica - Quinta-feira, 20 às 21 horas; sábado, 15 às 16h30.

Curso básico - Quinta-feira, 20 às 21h30; sábado, 15 às 16h30; domingo, 9h30 às 11 horas.

Grupos de estudo - Terça-feira, 20 às 21h30; quarta-feira, 9 às 10h; quinta-feira, 20 às 21h30; sexta-feira, 15 às 16h.

Evangelização – sábado, 8h30 às 10 horas.

Pré-requisito para acesso a grupos de estudo: ter o curso básico.

“O amor que compreende o erro é êmulo do amor que educa, da mesma forma que o amor que perdoa promove o amor que salva.” (Joanna de Ângelis)

Número 23 - página 7

HUMOR


O passista falante


Alice era o que podemos chamar de passista dedicada. Tinha verdadeira adoração pela atividade do passe. Desde que começou a frequentar a Instituição, seu sonho fora se tornar "passista da Casa". Participou dos cursos, mostrou-se interessada e foi aceita como parte da equipe.
Ela havia aprendido, no curso, que muitas pessoas adquiriam determinados "cacoetes" desnecessários, e resolveu zelar desde o início de suas atividades para não incorrer em erro algum. Passou a observar as pessoas, com o intuito de aprender e evitar erros, e não, conforme dizia inicialmente, para comentar com os outros o que recolhia de informação. Começou, então, a preparar uma listagem das incoerências que via, catalogando cada tipo de passista de acordo com uma classificação toda sua.
Certo dia, estava na Sala de Passe, ouvindo a palestra, quando uma amiga sua, companheira no trabalho do passe, sentou-se ao seu lado. Começaram a conversar, apesar da palestra estar se desenvolvendo, e Alice começou a se empolgar, listando para a amiga os diversos tipos de passista que já havia registrado:
Passista aconselhador: aquele que insiste em dar conselhos para as pessoas no próprio salão. Interrompe a atividade, ou marca para depois uma conversa de esclarecimento. Este tipo de passista é parente do passista intuitivo.
Passista intuitivo: aquele que durante a aplicação do passe, "recebe" orientações acerca do problema da pessoa, indicando determinados cuidados. Em alguns casos, o procedimento do passista é discreto. Há outros, os passistas mais intuitivos, que chegam a assumir atitudes esdrúxulas como, por exemplo: se abaixar até o chão para aplicar o passe no pé do doente.
Passista farmacêutico: aquele que, apesar das orientações contrárias, insiste em recomendar algum tipo de medicamento, um chazinho, um cloreto de cálcio ou magnésio, uma barbatana de tubarão...
Passista ginasta: aquele que dá uma verdadeira aula de ginástica aeróbica. Ele se balança, gesticula violentamente, agita-se. Nos dias de extremo calor, termina suas atividades cansado e suado, dizendo: Puxa, como eu doei energia hoje! Este passista é primo do passista torturador.
Passista torturador: aquele que aplica o passe com movimentos velozes, próximos à orelha da pessoa. Ele faz com que a pessoa fique o tempo todo tensa, orando para que acabe o passe logo, antes de receber uma pancada na cabeça, tenha a orelha arrancada, ou até uma fratura no nariz.
Passista asmático: aquele que ao aplicar o passe, emite ruídos acentuados, aparentando dificuldade de respiração. Apresenta-se, às vezes, tão exagerado, que a pessoa que recebe o passe tem vontade de abaná-lo, ou chamar um médico.
Passista espanhol: aquele que insiste em ficar estalando os dedos. Parece até que utiliza castanholas pela altura do barulho que consegue fazer.
Passista chaminé: aquele que nem nos dias de trabalho consegue parar de fumar. Este tipo pode ser também chamado de passista hortelã, pois utiliza muitas balas para minimizar o hálito do tabaco.
Passista birita: aquele que não consegue ficar sem o uso da bebida. O passista birita apresenta, dependendo do grau de adiantamento do vício, muitas características interessantes que variam, desde o hálito "puro", até a dificuldade de se manter em pé.
Ia continuar sua lista quando uma velhinha que se encontrava próximo falou:
- Minha filha, coloca na tua lista o passista falante.
Alice, interessada, perguntou:
- E quais as características?
A velhinha, tranquila, disse:
- Conversar com seus amigos na Sala de Passe, sem se preocupar com a palestra em desenvolvimento, desrespeitando as pessoas interessadas em aprender.
Alice, envergonhada, desculpou-se, e anotou mais um tipo de passista na sua longa lista.

CURIOSIDADES


Convertido ao Espiritismo, o escritor Arthur Conan Doyle dedicou os últimos anos de sua vida à religião. Além de escrever em defesa da doutrina espírita, Conan Doyle dava palestras sobre o assunto. A conversão do criador de Sherlock Holmes foi motivada pela perda traumática de um parente querido.

Victor Hugo conheceu o Espiritismo na década de 1850. O escritor e poeta francês participou de sessões espíritas em que eram recebidas mensagens de pessoas famosas e personalidades da cultura como Moliére e Shakespeare. Mais tarde, Hugo escreveria o livro Conversando com a Eternidade, em que relata seu conhecimento e suas experiências no Espiritismo.

Ao perder a filha e a neta ainda muito jovens, Tarsila do Amaral, um ícone do modernismo brasileiro, foi buscar amparo no Espiritismo. A dor e a depressão causadas pela morte de ambas só foram vencidas graças ao apoio e as palavras de conforto do médium Chico Xavier.

A cantora Edith Piaf, eterno mito da música francesa, também se tornou adepta do Espiritismo pelo mesmo motivo: a perda de uma pessoa querida.

Um dos autores brasileiros psicografados por Chico Xavier foi Humberto de Campos. Foram 12 obras de contos e crônicas escritas em nome do escritor maranhense. O curioso é que a família de Humberto de Campos entrou com um processo contra a Federação Espírita Brasileira reivindicando direitos autorais das obras.

CHARGE


Número 23 - página 8


OPINIÃO

Animismo

Marco Antonio Silva Pinto
Expositor espírita


A questão “preocupante” do animismo, segundo se constata, é consequência direta da falta de estudo ou de melhor compreensão de seu conceito.
José Raul Teixeira, no livro Correnteza de Luz, ditado pelo Espírito Camilo, nos esclarece a respeito da existência de dois tipos de fenômenos psíquicos, patrimônio do ser humano: os anímicos — produzidos pelo Espírito do encarnado; e os mediúnicos — decorrentes da intervenção de Espíritos desencarnados, que utilizam um veículo ou instrumento humano (médium) para se manifestar.
Ampliando os conteúdos acima apresentados, extraímos da obra Animismo e Espiritismo, de Alexandre Aksakof uma proposta de classificação dos fenômenos anímicos em internos e externos.
Os fenômenos anímicos internos, também denominados de personismo ou manifestação do inconsciente, seriam aqueles que estariam relacionados com a intimidade do sensitivo, abrigando sob essa designação todos os produtos do inconsciente, que, sob determinadas circunstâncias, deságuam no consciente do médium, as sugestões arquivadas, os processos psicológicos das camadas internas da personalidade, as lembranças de outras vidas e os arquétipos.
Já os fenômenos anímicos externos relacionam-se com as ocorrências que transpõem os limites corporais do sensitivo. O sonho, o sonambulismo, a telepatia, o êxtase, a bicorporeidade, a dupla vista são exemplos que podemos citar de fenômenos anímicos dessa ordem, tão bem explicados no capitulo 8 da parte segunda de O Livro dos Espíritos.
Ocupar-nos-emos da primeira proposta de classificação ora apresentada, por estar esta mais diretamente relacionada ao estudo em questão.
À primeira vista os fenômenos anímicos podem ser facilmente confundidos com os de natureza mediúnica, uma vez que estes últimos trazem as impressões do medianeiro que os veicula. Segundo o Espírito André Luiz, pela psicografia de Francisco Cândido Xavier, no capitulo intitulado Emersão do Passado, do livro Nos Domínios da Mediunidade, em todo e qualquer fenômeno mediúnico a presença do fator anímico é inevitável, pelo fato de o comunicante espiritual valer-se dos elementos biológicos, psicológicos e culturais do médium, para elaborar e exteriorizar a sua mensagem (...) Espera-se que a interferência anímica não ultrapasse as linhas do admissível, digamos do suportável. Cita ainda, na obra já mencionada: ... “Muitos companheiros matriculados no serviço de implantação da Nova Era, sob a égide do Espiritismo, vêm convertendo a teoria anímica num travão injustificável a lhes congelar preciosas oportunidades de realização do bem; portanto, não nos cabe adotar como justas as palavras “mistificação inconsciente ou subconsciente” para batizar o fenômeno”. Refere-se o instrutor Áulus, nesta passagem, a uma senhora que, embora com as usuais características de uma incorporação obsessiva de espírito perseguidor, estava apenas deixando emergir do seu próprio inconsciente memórias desagradáveis de uma existência anterior que nem mesmo o choque biológico da nova encarnação conseguira “apagar”. Tratava-se de uma doente mental, cujos passados conflitos ainda a atormentavam e se exteriorizavam naquela torrente de palavras e gestos como se estivesse possuída por um espírito desarmonizado. No caso, havia, sim, um espírito em tais condições – o seu próprio que ali funcionava como médium de si mesma, produzindo manifestação anímica.  Mais que ignorância, seria crueldade deixar de socorrê-la com atenção e amor fraterno somente porque a manifestação era anímica.
Continua Áulus, mais adiante: ... “Um doutrinador sem tato fraterno apenas lhe agravaria o problema, porque, a pretexto de servir à verdade, talvez lhe impusesse corretivo inoportuno em vez de socorro providencial”.
Em Mecanismos da Mediunidade (cap. XXIII), encontramos observação semelhante, colocada nestes termos: “Frequentemente pessoas encarnadas nessa modalidade de provação regeneradora são encontráveis nas reuniões mediúnicas, mergulhadas nos mais complexos estados emotivos, quais se personificassem entidades outras, quando, na realidade, exprimem a si mesmas, a emergirem da subconsciência nos trajes mentais em que se externavam noutras épocas sob o fascínio dos desencarnados que as subjugavam. (Xavier, Francisco C. / André Luiz, 1986.)
Lembra o autor espiritual, que se fôssemos levados, pelo processo da regressão da memória, a uma situação qualquer de uma vida anterior e lá deixados por algumas semanas, apresentaríamos o mesmo fenômeno de aparente alienação mental, complicada com características facilmente interpretadas como de possessão, pelo observador despreparado. Ou, então, a pessoa seria tida como mistificadora inconsciente. Em ambas as hipóteses, o diagnóstico estaria errado e, por conseguinte, também equivocada qualquer forma de tratamento proposto ou tentado.
Escreve ainda André Luiz: nenhuma justificativa existe para qualquer recusa no trato generoso de personalidades medianímicas provisoriamente estacionadas em semelhantes provações, de vez que são, em si próprias, espíritos sofredores ou conturbados quanto quaisquer outros que se manifestem, exigindo esclarecimento e socorro.
Em Obras Póstumas, no último parágrafo da mensagem “Controvérsias sobre a idéia da existência de seres intermediários entre o homem e Deus”, Allan Kardec observa o seguinte: “A distinção entre o que, num dado efeito, é produto direto da alma do médium, e o que provém de uma fonte estranha [Espírito], às vezes, é muito difícil de ser feita, porque, muito freqüentemente, essas duas ações se confundem e se corroboram (...) Mas do fato de uma distinção ser difícil, não se segue que seja impossível”.
No item 3, do livro Mediunidade, Encontro com Divaldo, editado pela Mundo Maior Editora, encontramos excelente sugestão apresentada pelo orador quando de sua resposta sobre as questões envolvendo o conhecimento da mediunidade, que, muito ilustra os caminhos a serem percorridos pelos médiuns para diferenciar os seus dos conteúdos dos Espíritos que por ele se comunicam: (...) “Durante vários anos estive estudando o que seria a minha personalidade e a individualidade que sou (...) Comecei a estudar o meu sistema nervoso, a minha emotividade, as minhas preferências, aquilo que dizia respeita ao Eu que sou, e às circunstâncias que propiciavam o intercâmbio com a mediunidade”.
Esse proceder faculta ao médium uma educação moral e psíquica tal que lhe concede recursos hábeis para o intercâmbio mediúnico correto e seguro.
As fixações mentais, os conflitos e os hábitos psicológicos do individuo, que ressumam do seu inconsciente, durante o transe assumem com vigor os controles da faculdade mediúnica, segundo Philomeno de Miranda (Espírito), dando origem ás ocorrências anímicas; este fato fortalece as informações de André Luiz (Espírito), anteriormente citadas.
Cabe, portanto, a todo médium o esforço contínuo na busca do auto-conhecimento, de forma a diminuir gradualmente as cores anímicas de suas passividades, dedicando alguns minutos diários de sua existência ao exame continuo de seus problemas íntimos, aliado ao estudo doutrinário, de forma a discernir com acerto e atuar com segurança no desempenho das tarefas que lhes competem realizar.

sexta-feira, 25 de janeiro de 2013

Número 22 - Capa

EDITORIAL

Os ventos de 2013
Angélica Santos


Que o Novo Ano que se aproxima nos traga novas ideias para que possamos alcançar novas metas, não só na Casa em que estamos inseridos, como também vontade de buscarmos cada vez mais nos aprofundarmos no conhecimento dos postulados da Doutrina que abraçamos, para que, de alguma forma, nos sejam dadas possibilidades de repassar essas informações àqueles que, em nosso ambiente de trabalho, queiram crescer no dia a dia ao nosso lado. Do mesmo modo devemos proceder junto aos que adentram nossas fileiras em busca do amor e da tolerância.
Para o Lar João Batista 2012 foi um ano de muita produtividade, embora alguns momentos de pequenos problemas. Graças aos laços de amor e compreensão que nos unem conseguimos vencer esses empeços com tranquilidade, fortalecendo nossa amizade. Não podemos deixar de relembrar os instantes de paz e serenidade, tendo a Casa, graças ao fermento do amor entre nós, terminado o ano acrescentando a seu currículo de ações muito proveito em todas a áreas.
Assim, esperamos que em 2013 possamos continuar, tranquilamente, tudo que planejamos. Desejamos que o Movimento Espírita cumpra com o seu papel de trazer para todos nós, como sempre fez, momentos de entrosamento e harmonia, para que, de certo modo, possamos juntos levar à sociedade os valores e vivências contidos no bojo de nossa Doutrina libertadora.

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LEIA NESTA EDIÇÃO:


Existe no Brasil uma cidade fundada e habitada só por espíritas, no estado de Goiás. Esta e outras curiosidades referentes à Doutrina você vê na Página 7.

Jurista, poeta, médium de cura e divulgador do Espiritismo através da criação de muitos centros, Bittencourt Sampaio é o vulto espírita destacado nesta edição. Página 3

A Juventude Espírita Nina Arueira, do C. E. Caminho da Redenção, promove encontro de jovens de todo o Brasil durante o Carnaval, com a participação de Divaldo Franco. Página 5

Em artigo, a jornalista Liliana Peixinho indaga sobre “como recomeçar o resgate do equilíbrio, do respeito ao outro?”... Página 8

Numa reunião mediúnica os participantes não devem ter nenhum interesse moral ou material. Página 6




Número 22 - página 2

MOVIMENTO

Mednesp leva pesquisadores e médicos espíritas a Maceió


Estão abertas as inscrições para o Congresso Nacional da Associação Médico-Espírita do Brasil (Mednesp), que acontecerá em Maceió (AL) no feriadão de Corpus Christi - período de 29 a 31 de maio e 1 de junho deste ano. Entre os palestrantes já confirmados estão Alberto Almeida, Décio Iandoli, Haroldo Dutra, Marlene Rossi, Sérgio Lopes, Irvênia Prada e Roberto Lúcio Vieira.
As palestras serão divididas em três auditórios. No primeiro se discutirá o tema “Médicos, psicológicos, éticos e educacionais”, o segundo auditório terá como tema “Os dois Willians”, dedicado a William Crookes (foto) e William James e destinado àqueles que já têm um conhecimento mais científico do assunto; e, por fim, o último é voltado às discussões específicas como “Assistência e orientação ao dependente químico, assistência ao doente ambulatorial através dos institutos de saúde e ao doente hospitalizado”.
O congresso será realizado no Centro de Convenções de Jaraguá, em Maceió, numa promoção da AME-Brasil e AME-Alagoas. Mais informações estão disponíveis no site http://mednesp2013.amealagoas.com.br/


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Evento no interior do Paraná

O médium e tribuno baiano Divaldo Pereira Franco mais os expositores Sandra Borba Pereira (RN), Alberto Almeida (PA), Sandra Dellla Pola, Haroldo Dutra Dias e Suely Caldas Schubert (MG) são os nomes elencados para desenvolverem as atividades da XV Conferência Estadual Espírita - Amanhecer de uma Nova Era. O evento vai acontecer no Expotrade, em Pinhais, interior do Paraná, no período de 8 a 10 de março deste ano.

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CURTAS


De periodicidade trimestral, já está circulando a segunda edição do jornal Jovem Semeador, publicado pelos integrantes da Juventude Espírita Semeador, da Sociedade Espírita O Semeador, localizado no Campo da Pólvora. O informativo também tem sua versão online, na rede social Facebook, e pode ser acessado pelo endereço http://www.facebook.com/JovemSemeador.

Os expositores Nahon Castro, Adenáuer Novaes, Marcel Mariano, Márcia de Aguiar, Pedro Camilo, Luciano Menezes, Isabel Guimarães e Djalma Argollo foram convocados pelos dirigentes da Casa de Oração Joanna de Ângelis para desenvolverem a programação de sua XVI Semana Espírita, que acontece de 19 a 26 de janeiro, abaordando o tema “Mediunidade - uma possibilidade de todos”.

Como acontece nos meses de janeiro e fevereiro, nos últimos anos, a Casa de Oração Bezerra de Menezes realiza seu Projeto Verão todas as quartas-feiras, das 19h30 às 21 horas. Os encontros têm o tema “Sentimento: a força do espírito”, baseado no livro homônimo de Alzira Bessa França Amui e Luciano Sivieri Varanda.



Número 22 - página 3

HOMENAGEM


Bittencourt Sampaio:
O protetor da Federação Espírita Brasileira

Francisco Leite de Bittencourt Sampaio, filho de um negociante português do mesmo nome e de D. Maria de Santa Ana Leite Sampaio, nasceu em Laranjeiras, localidade da então Província de Sergipe, no dia 1o. de Fevereiro de 1834, e desencarnou no Rio de Janeiro a 10 de Outubro de 1895. Foi jurisconsulto, magistrado, político, alto funcionário público, jornalista, literato, renomado poeta lírico e excelente médium espírita.
Tendo principiado seus estudos de Direito na Faculdade do Recife, continuou-os na Academia de São Paulo (atual Faculdade de Direito). Interrompeu, em 1856, o seu curso acadêmico para acudir os conterrâneos enfermos, por ocasião da epidemia de cólera. Por esses serviços, a que se entregou desinteressadamente, foi condecorado pelo Governo Imperial com a Ordem da Rosa, que não aceitou por incompatível com suas idéias políticas.
Bastante querido pelos seus colegas, colaborou na revista “O Guaianá” (1856), dos estudantes de Direito, e em outras publicações literárias de São Paulo, como em “A Legenda”, nos “Ensinos Literários” do Ateneu Paulistano, na “Revista Mensal do Ensaio Filosófico Paulistano”, no “Correio Paulistano”, etc... O ilustre jornalista, político e historiador professor Dr. Almeida Nogueira, que o conheceu de perto, deixou-nos, em rápidas pinceladas, esta descrição de sua figura: “Alto, louro, pálido, olhos azuis, encovados e muito expressivos, cabelos crescidos e atirados para trás, descobrindo-lhe a fronte iluminada pelo talento e pela inspiração. Fisionomia romântica e extremamente simpática.”
Bacharelando-se em 1859, Bittencourt Sampaio exerceu a promotoria publica em Itabaiana e Laranjeiras, em 1860-1861, trabalhando ainda como inspetor do distrito literário na primeira dessas comarcas. Em março de 1861, retirou-se da Província de Sergipe, vindo para a antiga Corte do Rio de Janeiro, onde abriu banca de advogado, que freqüentou por muitos anos.
Militando na política, filiou-se ao Partido Liberal. Eleito, pela sua Província, deputado à Assembléia Geral Legislativa, nas legislaturas de 1864-1866 e 1867-1870, foi, nesse último período, presidente do Espírito Santo, nomeado por carta imperial de 29 de setembro de 1867, cargo que exerceu até 26 de abril de 1868, para voltar ao desempenho do mandato legislativo na Corte.
Em 1870, abraçando as idéias republicanas, desligou-se do partido a que pertencia e fez-se ardoroso propagandista da República. Nessa qualidade, assinou, ao lado de Saldanha da Gama, Quintino Bocayuva e outros, o célebre Manifesto de 3 de Dezembro de 1870, que tão larga repercussão teve, tornando-se importantíssimo documento histórico. Jornalista, não só era deputado pelo brilho de seus artigos, mas também grandemente respeitado pela elevação, sinceridade e firmeza com que sustentava e defendia seus ideais políticos.
Proclamada a Republica, foi comissionado para inventariar todos os papéis existentes na Câmara dos Deputados, cargo que deixou para exercer o de redator dos debates na Assembléia Constituinte, em 1890. Foi o primeiro administrador da Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro a gozar do titulo oficial de Diretor, já que até ao fim do Império os titulares a dirigiam como “bibliotecários”. Nomeado a 12 de Dezembro de 1889, empossou-se dois dias depois, tendo exercido o cargo até 15 de Outubro de 1892.
Não se sabe quando ele entrou para o Espiritismo, mas em 2 de agosto de 1873 já fazia parte da Diretoria do “Grupo Confúcio”, primeira sociedade espírita surgida em terras cariocas. Lá desenvolveu sua mediunidade receitista, curando muitos doentes com remédios homeopatas. Assinala Almeida Nogueira que Bittencourt Sampaio foi atraído pelo Espiritismo pelos fenômenos, assunto este que ele estudou profundamente, mas foi a parte moral que mais impressionou o poeta-filósofo.
Funda, em 1876, a “Sociedade de Estudos Espíritas Deus, Cristo e Caridade”, presidindo-lhe os trabalhos, nos quais era parte importante o estudo dos Evangelhos à luz do Espiritismo. Fundado, em 1880, o “Grupo Espírita Fraternidade”, a ele Bittencourt Sampaio também empresta sua valiosa colaboração. O respeitável vulto do Espiritismo Cristão no Brasil, Dr. Antônio Luís Saião, que se convertera graças à mediunidade curadora de Bittencourt Sampaio, reúne então os médiuns da referida sociedade no “Grupo Ismael”, por ele criado e até hoje existente, e ali Bittencourt Sampaio se constituiu num dos intermediários de belas e instrutivas mensagens de Espíritos Superiores.
Declara o “Reformador” de 15 de Outubro de 1895, que Bittencourt “se preparava para escrever a Divina Tragédia do Gólgota, quando, fruto maduro, foi colhido pela mão do celeste jardineiro”. Depois de sua desencarnação, o Espírito de Bittencourt Sampaio escreveu, pelo médium Frederico Junior, as seguintes obras: “Jesus Perante a Cristandade”, “De Jesus para as Crianças”, e “Do Calvário ao Apocalipse”.
Tais, em ligeiro e imperfeito escorço, a personalidade humana e a individualidade espiritual daquele que se chamou, entre nós, Francisco Leite de Bittencourt Sampaio e que, desde quando volveu à vida de Espírito livre, se constituiu, entre os eleitos do Senhor, guia indefeso, protetor caridoso e clarividente orientador da Federação Espírita Brasileira.